Quando nem tudo são flores
Livro de jornalista sorocabana, que voltou ao Brasil depois do terremoto, relata as dificuldades em se adaptar no Japão e enfim aprender a amar a terra do sol nascente
Notícia publicada na edição de 22/04/2011 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno C - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.
Jose Antônio Rosa
Foram sete anos de convívio com outra realidade, outra cultura, outros costumes. O saldo desse período passado no Japão foi registrado em livro pela jornalista sorocabana Rosemeire Nakamura. "Caminhada - As Duas Faces de uma Vida no Japão" é o título do trabalho que passa a limpo o que a autora chama de "trajetória". Rose retornou a Sorocaba há um mês, depois que o terremoto seguido de tsunami devastou parte da região nordeste japonesa. "Eu estava há cerca de 300 quilômetros de onde tudo aconteceu. Felizmente, não sofremos nada, mas decidimos que já era o momento de retornar", contou ao Mais Cruzeiro.
O ponto de partida da narrativa, que também pode ser conferida no site www.bookees.com (no endereço é possível, ainda, adquirir o livro), remonta ao ano de 2003. Na ocasião, para alcançar melhores condições de vida, Rose e o marido, o engenheiro agrônomo Rui Nakamura, seguiram para a terra do sol nascente. O filho Kauê, com pouco mais de um ano de idade, não acompanhou os pais na empreitada; só mais tarde, ficaria com eles em definitivo. O casal chegou à Província de Nihon, que fica no sul do país, onde buscou colocação no mercado de trabalho. Rose conta que, como todo dekasegui, viajou movida pelo propósito de obter ocupação e dinheiro.
Ainda que tivesse trabalhado muito, desempenhado as mais variadas atividades (foi operária em fábricas de segmentos diversos, como de macarrão, e de corte de alimentos, entre os quais cebola), amargado frustrações, e conhecido de perto o preconceito praticado contra estrangeiros, a jornalista não se deixou abalar.
"Caminhada...", no entanto, não é apenas um diário com relatos de vivências boas e ruins, daqueles que resgatam episódios de superação. Dona de uma sensibilidade apurada, Rosemeire transpõe para o livro o jeito de ser dos japoneses, a partir de uma análise lúcida, realista. É o que fica demonstrado já no capítulo em que registra sua chegada ao aeroporto de Narita, quando, recepcionada por dois homens que ali a aguardavam, se dá conta da frieza e distanciamento dos nipônicos. Rose e o marido foram orientados a não andar de mãos dadas, já que, lá, o contato físico entre as pessoas não é comum. "No Japão, não há manifestação de carinho. Ninguém se beija, muito menos se abraça", constatou.
O destino era a cidade de Ota, na qual se estabeleceriam. Durante o trajeto, Rose observa e descreve, no livro, o cenário de "plantações, cemitérios e casinhas com telhados marrons e azuis". "Tudo era muito triste, sem cor, sem vida". O primeiro contato com o representante do escritório que cuidou de encaminhar os sorocabanos ao trabalho não foi muito animador. Rose relata que ouviu do funcionário a advertência de que eles "não conseguiriam ficar ricos" e que chegariam à conclusão de que teria sido melhor ficar no Brasil. A vida dos Nakamura em terra estrangeira não foi mesmo fácil. Rosemeire narra passagens de discriminação e assédio moral no ambiente do trabalho, a jornada de treze horas diárias que tinha de cumprir, o fato de precisar ficar em pé por muito tempo.
O idioma foi a principal barreira nessa fase de adaptação. Sem domínio da língua, Rose submeteu-se a humilhações, e chegou a pensar que não conseguiria transpor tantos obstáculos. A mudança começaria a ocorrer, coincidentemente, depois que ela voltou ao Brasil para buscar o filho. Na volta ao Japão, descobriu que "o melhor remédio para curar furúnculo é beliscão". Em outras palavras, Rose decidiu encarar os desafios de frente. Apaixonada por fotografias, dedicou-se ao hobby e começou a captar imagem de templos, parques, jardins, árvores, monumentos e paisagens. Tem guardadas mais de 25 mil fotos. Parte delas, foi usada em "Templos do Japão", outro livro que produziu. Escrever e fotografar foram as formas encontradas pela jornalista para, a princípio, dar conta das aflições e angústias.
Mas, a virada mesmo aconteceria quando ela decidiu furar o bloqueio que o temperamento dos japoneses impunha. A alternativa foi se inserir na vida em comunidade. Rose começou a frequentar reuniões, a marcar presença nas discussões de interesse do bairro onde morava e a colaborar com a organização de festas e eventos. Ajudou muito o desprendimento do filho Kauê. Totalmente à vontade e ambientado, o garoto soube cativar e se impor, graças, principalmente, à prática do caratê. Além disso, Kauê aprendeu com mais facilidade o idioma e se comunicava melhor.
Rose conquistou, aos poucos, a simpatia dos japoneses. "Criei, quase perto de voltar para o Brasil, os laços de amizade que tentei estabelecer desde que fui para lá", disse. Tanto assim que sua despedida foi marcada pela emoção. "Alguns vizinhos me abraçaram e choraram, pedindo que eu voltasse um dia." "Caminhada..." é uma história de retomada. Rosemeire declara que apresenta, no trabalho, as duas faces da vivência que teve enquanto lá permaneceu. Garante que aprendeu a amar o Japão. "Arquivei as mágoas." Ficou, ainda, como lição, o que ela chama de "traço fascinante da cultura do povo japonês". "Surpreendi-me a cada dia com o respeito que eles têm pela natureza, pela educação e pela sensibilidade."
http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=289810
Visite neste blog a reportagem do meu livro na Revista Regional
http://www.orientalfotosflores.com.br/2010/11/meu-livro-divulgado-na-revista-regional.html
No JE Jornal da Economia
http://nihonterradosolnascente.blogspot.com/2010/10/meu-livro-divulgado-no-je-online.html
O ponto de partida da narrativa, que também pode ser conferida no site www.bookees.com (no endereço é possível, ainda, adquirir o livro), remonta ao ano de 2003. Na ocasião, para alcançar melhores condições de vida, Rose e o marido, o engenheiro agrônomo Rui Nakamura, seguiram para a terra do sol nascente. O filho Kauê, com pouco mais de um ano de idade, não acompanhou os pais na empreitada; só mais tarde, ficaria com eles em definitivo. O casal chegou à Província de Nihon, que fica no sul do país, onde buscou colocação no mercado de trabalho. Rose conta que, como todo dekasegui, viajou movida pelo propósito de obter ocupação e dinheiro.
Ainda que tivesse trabalhado muito, desempenhado as mais variadas atividades (foi operária em fábricas de segmentos diversos, como de macarrão, e de corte de alimentos, entre os quais cebola), amargado frustrações, e conhecido de perto o preconceito praticado contra estrangeiros, a jornalista não se deixou abalar.
"Caminhada...", no entanto, não é apenas um diário com relatos de vivências boas e ruins, daqueles que resgatam episódios de superação. Dona de uma sensibilidade apurada, Rosemeire transpõe para o livro o jeito de ser dos japoneses, a partir de uma análise lúcida, realista. É o que fica demonstrado já no capítulo em que registra sua chegada ao aeroporto de Narita, quando, recepcionada por dois homens que ali a aguardavam, se dá conta da frieza e distanciamento dos nipônicos. Rose e o marido foram orientados a não andar de mãos dadas, já que, lá, o contato físico entre as pessoas não é comum. "No Japão, não há manifestação de carinho. Ninguém se beija, muito menos se abraça", constatou.
O destino era a cidade de Ota, na qual se estabeleceriam. Durante o trajeto, Rose observa e descreve, no livro, o cenário de "plantações, cemitérios e casinhas com telhados marrons e azuis". "Tudo era muito triste, sem cor, sem vida". O primeiro contato com o representante do escritório que cuidou de encaminhar os sorocabanos ao trabalho não foi muito animador. Rose relata que ouviu do funcionário a advertência de que eles "não conseguiriam ficar ricos" e que chegariam à conclusão de que teria sido melhor ficar no Brasil. A vida dos Nakamura em terra estrangeira não foi mesmo fácil. Rosemeire narra passagens de discriminação e assédio moral no ambiente do trabalho, a jornada de treze horas diárias que tinha de cumprir, o fato de precisar ficar em pé por muito tempo.
O idioma foi a principal barreira nessa fase de adaptação. Sem domínio da língua, Rose submeteu-se a humilhações, e chegou a pensar que não conseguiria transpor tantos obstáculos. A mudança começaria a ocorrer, coincidentemente, depois que ela voltou ao Brasil para buscar o filho. Na volta ao Japão, descobriu que "o melhor remédio para curar furúnculo é beliscão". Em outras palavras, Rose decidiu encarar os desafios de frente. Apaixonada por fotografias, dedicou-se ao hobby e começou a captar imagem de templos, parques, jardins, árvores, monumentos e paisagens. Tem guardadas mais de 25 mil fotos. Parte delas, foi usada em "Templos do Japão", outro livro que produziu. Escrever e fotografar foram as formas encontradas pela jornalista para, a princípio, dar conta das aflições e angústias.
Mas, a virada mesmo aconteceria quando ela decidiu furar o bloqueio que o temperamento dos japoneses impunha. A alternativa foi se inserir na vida em comunidade. Rose começou a frequentar reuniões, a marcar presença nas discussões de interesse do bairro onde morava e a colaborar com a organização de festas e eventos. Ajudou muito o desprendimento do filho Kauê. Totalmente à vontade e ambientado, o garoto soube cativar e se impor, graças, principalmente, à prática do caratê. Além disso, Kauê aprendeu com mais facilidade o idioma e se comunicava melhor.
Rose conquistou, aos poucos, a simpatia dos japoneses. "Criei, quase perto de voltar para o Brasil, os laços de amizade que tentei estabelecer desde que fui para lá", disse. Tanto assim que sua despedida foi marcada pela emoção. "Alguns vizinhos me abraçaram e choraram, pedindo que eu voltasse um dia." "Caminhada..." é uma história de retomada. Rosemeire declara que apresenta, no trabalho, as duas faces da vivência que teve enquanto lá permaneceu. Garante que aprendeu a amar o Japão. "Arquivei as mágoas." Ficou, ainda, como lição, o que ela chama de "traço fascinante da cultura do povo japonês". "Surpreendi-me a cada dia com o respeito que eles têm pela natureza, pela educação e pela sensibilidade."
http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=289810
Visite neste blog a reportagem do meu livro na Revista Regional
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No JE Jornal da Economia
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