quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Conheço a residência da dor



Conheço a residência da dor
Cecília Meirelles
Foto- Rose Nakamura

Conheço a residência da dor.
É num lugar afastado,
Sem vizinhos, sem conversa, quase sem lágrimas,
Com umas imensas vigílias, diante do céu.

A dor não tem nome,
Não se chama, não atende.
Ela mesma é solidão:
Nada mostra, nada pede, não precisa.
Vem quando quer.

O rosto da dor está voltado sobre um espelho,
Mas não é rosto de corpo,
Nem o seu espelho é do mundo.

Conheço pessoalmente a dor.
A sua residência , longe,
em caminhos inesperados.

Às vezes sento-me em sua porta, na sombra das suas árvores.

E ouço dizer:
"Quem visse, como vês, a dor, já não sofria".
E olho para ela, imensamente.
Conheço há muito tempo a dor.
Conheço-a de perto.
Pessoalmente.

3 comentários:

  1. nossa que tristeza!
    cecília devia estar passando por uma fase difícil...talvez sofrendo de amor.

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  2. Rose.
    Uma bela Rosa para um lindo e triste poema.
    Beijão
    Felipe

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  3. é verdade Felipe
    para amenizar a dor
    um pouco de beleza.
    bjs

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